O capital cripto está a migrar de tokens para ações, à medida que os novos lançamentos enfrentam obstáculos: DWF

Última atualização 2026-03-25 01:03:20
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Este artigo, com base na análise estatística de centenas de amostras de TGE conduzida pela DWF Labs enquanto market maker, demonstra que mais de 80% dos novos tokens desvalorizam entre 50% e 70% relativamente ao preço de emissão, num prazo aproximado de 90 dias após a listagem. Os picos tendem a ocorrer durante o primeiro mês de negociação, sendo depois sucedidos por quedas prolongadas devido à pressão dos airdrops e dos desbloqueios antecipados—reforçando a perceção de que as novas moedas funcionam frequentemente como mecanismo de saída para investidores de retalho.

O capital dos investidores está a direcionar-se cada vez mais dos tokens para empresas cripto cotadas em bolsa, à medida que os novos lançamentos de tokens enfrentam dificuldades, segundo investigação e comentários do market maker DWF Labs.

Com base em dados da Memento Research relativos a centenas de lançamentos de tokens em grandes bolsas centralizadas e descentralizadas, a empresa afirmou que mais de 80% dos projetos estão abaixo do preço do evento de geração de tokens (TGE). As quedas típicas variam entre 50% e 70% nos cerca de 90 dias após a cotação, o que indica que os investidores no mercado público enfrentam frequentemente perdas imediatas após o lançamento.

O managing partner da DWF Labs, Andrei Grachev, declarou ao Cointelegraph que estes números refletem um padrão consistente após a cotação, e não apenas uma volatilidade de curto prazo. Salientou que a maioria dos tokens atinge um pico de preço durante o primeiro mês, seguindo-se uma tendência descendente devido ao aumento da pressão vendedora.

“O preço do TGE é o preço definido em bolsa antes do lançamento”, explicou Grachev. “É o valor a que o token será aberto na bolsa, permitindo avaliar a variação real do preço devido à volatilidade nos primeiros dias”, acrescentou.


Fonte: DWF Ventures

A análise incidiu sobre lançamentos estruturados ligados a projetos com produtos ou protocolos, em detrimento das memecoins. Os airdrops e os desbloqueios de investidores iniciais foram apontados como principais fontes de pressão vendedora.

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IPOs cripto e M&A disparam à medida que o capital se afasta dos tokens

Em contrapartida, a formação de capital tem-se fortalecido nos mercados tradicionais ligados ao setor. O financiamento para ofertas públicas iniciais (IPO) relacionadas com cripto atingiu cerca de 14,6 mil milhões $ em 2025, um aumento significativo face ao ano anterior, enquanto a atividade de fusões e aquisições (M&A) ultrapassou os 42,5 mil milhões $, o valor mais elevado dos últimos cinco anos.

Grachev defendeu que esta alteração deve ser interpretada como uma rotação, e não como uma saída de capital. “Se o capital estivesse simplesmente a abandonar o setor cripto, não veríamos as captações de IPO subir 48 vezes em termos homólogos para 14,6 mil milhões $, o M&A atingir um máximo de 5 anos acima de 42,5 mil milhões $ e o desempenho das ações cripto superar o dos tokens”, afirmou.

No seu relatório, a DWF comparou empresas cotadas como Circle, Gemini, eToro, Bullish e Figure com projetos tokenizados, utilizando rácios preço/vendas dos últimos 12 meses. As ações públicas negociaram a múltiplos entre aproximadamente 7 e 40 vezes as vendas, enquanto os tokens comparáveis ficaram entre 2 e 16 vezes.

A empresa argumentou que o diferencial de avaliação resulta do acesso. Muitos investidores institucionais, incluindo fundos de pensões e endowments, estão restritos aos mercados de valores mobiliários regulados. As ações públicas podem ainda integrar índices e fundos negociados em bolsa, originando compras automáticas por produtos de investimento passivo.

Maksym Sakharov, cofundador e CEO do grupo WeFi, confirmou igualmente ao Cointelegraph que existe uma rotação de capital dos lançamentos de tokens. “Quando o apetite pelo risco diminui, os investidores não deixam de procurar exposição, mas passam a exigir uma propriedade mais limpa, maior transparência na divulgação e um caminho para direitos exequíveis”, referiu.

Sakharov acrescentou que o dinheiro está a ser canalizado para empresas com características de infraestrutura, devido a fatores como custódia, pagamentos, liquidação, corretagem, compliance e suporte operacional. Sublinhou que o “enquadramento acionista” é apelativo porque se alinha com a adoção no mundo real, permitindo licenciamento, auditorias, parcerias e canais de distribuição.

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Porque é que os investidores preferem ações cripto em vez de tokens

Segundo Sakharov, o mercado tende cada vez mais a tratar tokens e empresas como entidades distintas, notando que um token, só por si, não substitui a distribuição nem um produto funcional. Se um projeto não gerar utilizadores regulares, comissões, volume de transações e retenção, o token acaba por ser avaliado com base em expectativas e não em atividade real, o que explica porque muitos lançamentos parecem bem-sucedidos no início mas acabam por desiludir.

As ações cripto cotadas não são necessariamente mais seguras, mas são mais transparentes e fáceis de avaliar para os investidores, segundo Sakharov. As empresas públicas oferecem padrões de reporte, governança e direitos legais, e enquadram-se nas regras das carteiras institucionais, enquanto deter tokens exige frequentemente aprovações de custódia e alterações de política.

Grachev classificou esta mudança como estrutural e não cíclica. Embora os tokens continuem a integrar as redes cripto para incentivos e governança, referiu que o capital institucional privilegia cada vez mais os instrumentos acionistas.

“Os tokens não vão desaparecer, mas estamos a assistir a uma bifurcação permanente: os protocolos sólidos, com receitas reais, vão prosperar, enquanto a longa cauda de lançamentos especulativos enfrentará um ambiente muito mais exigente”, concluiu.

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