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Tenho acompanhado alguns desenvolvimentos económicos interessantes na China que chamaram a minha atenção. O Commerzbank acabou de divulgar uma análise sugerindo que a segunda maior economia do mundo está a mostrar uma resiliência muito maior do que as pessoas esperavam, e isso está a remodelar completamente a forma como as instituições pensam sobre a política monetária no futuro.
Os números que estão a sair são honestamente bastante sólidos. A produção industrial expandiu 6,7% em relação ao ano anterior no último trimestre, as vendas a retalho subiram 8,2% — ambos muito acima do que o consenso previa. O crescimento das exportações atingiu 9,4% apesar do enfraquecimento da procura global, o que surpreendeu a maioria dos analistas. A manufatura tem estado em fase de expansão há sete meses consecutivos. O excedente comercial alargou-se para 88,2 mil milhões de dólares, proporcionando um apoio real à estabilidade cambial. Entretanto, o investimento em infraestrutura acelerou 12,3% à medida que os governos locais impulsionaram medidas de estímulo.
O que é particularmente interessante é como esta trajetória de crescimento do PIB está a forçar as instituições financeiras a repensar o seu manual de estratégias. Os economistas do Commerzbank revisaram as suas projeções de política monetária após verem estes dados mais fortes do que o esperado. Agora esperam ajustes mais graduais na política do Banco Popular da China — o que significa que os cortes de taxas podem acontecer mais tarde e de forma mais moderada do que o mercado antecipava.
Vários fatores estão a apoiar esta expansão económica. A inflação dos preços ao consumidor estabilizou-se em 2,1%, reduzindo a pressão imediata por estímulos amplos. O yuan manteve-se relativamente estável face às principais moedas. Os indicadores do mercado imobiliário mostram sinais de estabilização tentativos. E o superávit na conta corrente? Está a dar aos decisores políticos uma flexibilidade real.
O que difere desta vez em relação aos ciclos anteriores é como a economia chinesa se transformou fundamentalmente. O setor digital agora contribui com 42% para o crescimento do PIB — uma mudança estrutural massiva que altera a forma como a política realmente se transmite pela economia. O investimento em I&D cresce 10,4% ao ano, a transição para energias verdes está a acelerar, e iniciativas de desenvolvimento regional como a Área da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau estão a dar resultados com um crescimento de 7,1%, superando as médias nacionais.
O lado do sistema financeiro também parece sólido. As taxas de incumprimento de empréstimos não produtivos caíram para 1,62%, os rácios de adequação de capital estão nos 14,8%, e a penetração de bancos digitais atingiu 89% nas áreas urbanas. As reservas cambiais permanecem substanciais, com 3,2 biliões de dólares.
Para os mercados globais, isto importa porque a China representa cerca de 18% do comércio mundial de mercadorias. Quando se tem um momentum económico sustentado assim, ele reverbera nos mercados de commodities, nas moedas de mercados emergentes e nas cadeias de abastecimento internacionais. Os exportadores europeus — especialmente as empresas alemãs de automóveis e maquinaria — estão a relatar encomendas estáveis. As cadeias de abastecimento asiáticas estão a experimentar menos volatilidade do que nos trimestres anteriores.
A conclusão aqui é que a resiliência económica da China não é uma mera anomalia temporária. É estrutural. A combinação de avanços tecnológicos, desenvolvimento regional coordenado e padrões de consumo em evolução sugere que esta trajetória de expansão tem pernas. Os decisores políticos podem focar-se em reformas de precisão em vez de estímulos amplos, o que na verdade indica condições de operação mais estáveis no futuro.
Os investidores globais estão a acompanhar de perto porque o desempenho económico da China influencia diretamente os fluxos comerciais, os padrões de investimento e os preços das commodities. Esta abordagem de política moderada que o Commerzbank está a sinalizar pode significar condições mais estáveis para as operações comerciais internacionais daqui para frente.