Ainda faltam dez meses, e o mercado global de smartphones vai passar por um terremoto sem precedentes! De acordo com a mais recente regulamentação da União Europeia, em dez meses todos os telefones vendidos na UE deverão permitir que usuários comuns troquem a bateria facilmente. Essa regra vale para todas as marcas, incluindo a Apple.


​​Hoje em dia, a maioria dos smartphones é uma peça única selada, com a bateria colada com cola forte dentro do aparelho, e o painel traseiro também selado de forma rígida, praticamente impossível de abrir. No entanto, a UE de repente exige que, a partir de dez meses, os telefones lançados no mercado possam ter a bateria trocada sem aquecer, sem usar ferramentas profissionais, e sem precisar ir a uma assistência técnica, usando apenas as mãos ou objetos comuns de casa.
​​Todas as marcas que desejam continuar vendendo na UE terão que redesenhar seus produtos de acordo com esse padrão.
​​Essa exigência vai totalmente na direção oposta ao desenvolvimento da indústria nos últimos dez anos, quando as fabricantes, para deixar os smartphones mais finos e à prova d’água, eliminaram progressivamente as baterias removíveis. Agora, a UE quer reverter isso, o que significa que toda a linha de produção e a estrutura interna terão que passar por uma grande reformulação.
​​A Apple enfrenta a maior pressão. Seu design de corpo integrado já está bastante avançado, com espaço interno bem apertado. Para cumprir a nova regra, será preciso trocar a cola que fixa a bateria por um sistema de clipes ou um design de fácil abertura, além de replanejar a disposição da moldura e da placa-mãe. A linha de produção precisará ser parada e ajustada, o que gera custos consideráveis.
​​Alguns anos atrás, quando a UE pressionou a Apple a trocar a entrada Lightning por USB-C, a Apple relutou bastante, mas acabou cedendo. Agora, com a troca da estrutura da bateria, a situação é parecida: o mercado é grande demais e as regras precisam ser seguidas.
​​A razão principal da UE para essa mudança é o aumento do lixo eletrônico na Europa. Muitas telas e placas-mãe ainda estão boas, mas os aparelhos são descartados por causa da bateria que envelhece e perde a autonomia. Como trocar a bateria é caro e difícil de abrir, os consumidores preferem comprar um aparelho novo, o que gera mais gastos e desperdício de recursos.
​​No passado, os smartphones tinham baterias removíveis, e era fácil levar uma bateria reserva para trocar em poucos segundos. Agora, embora o design integrado seja mais bonito e resistente à água, quando a bateria estraga, dá mais trabalho. Com a nova regra entrando em vigor em dez meses, os usuários poderão comprar uma nova bateria por alguns euros e trocá-la em casa, continuando a usar o aparelho sem precisar trocar de telefone constantemente, economizando bastante dinheiro.
​​Claro que, ao mudar o design, as fabricantes terão que gastar dinheiro. Alguns temem que elas repassem esses custos ao preço final do telefone, mas na Europa, com forte fiscalização de preços e competição acirrada, é difícil aumentar os preços de forma significativa.
​​Mais importante ainda, essa regra não é só uma questão europeia. Atualmente, a produção de smartphones funciona com uma cadeia de suprimentos global. As fabricantes não podem criar uma linha exclusiva só para a Europa, o que significa que, provavelmente, todos os smartphones do mundo terão que passar a ter um design que permita a troca fácil da bateria.
​​Quando a UE padronizou a entrada USB-C, e agora regula a troca de baterias, a lógica é a mesma: usar o poder de mercado para forçar a indústria a abandonar práticas inconvenientes para os usuários. Os produtos não podem ser apenas bonitos e potentes, mas também precisam ser fáceis de consertar e mais sustentáveis a longo prazo.
​​Embora essa mudança cause dor de cabeça às marcas, a longo prazo ela traz benefícios reais para os consumidores e ajuda a reduzir o lixo eletrônico. No final das contas, o avanço tecnológico deve sempre voltar a priorizar a durabilidade, o preço acessível e o uso prolongado dos dispositivos.
​​Você acha que a obrigatoriedade de poder trocar a bateria do smartphone por conta própria é um avanço ou um incômodo? Compartilhe sua opinião nos comentários.
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