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Irão, permite o uso de Bitcoin para pagar as taxas de passagem do Estreito de Hormuz... sinal de que o sistema de sanções pode estar a mostrar fissuras
Irã anunciou que aceitará Bitcoin (BTC) como forma de pagamento de taxas de passagem pelo Estreito de Ormuz, levantando novamente a questão nos Estados Unidos sobre “se as forças armadas entendem as criptomoedas como uma ferramenta de poder nacional”. Em uma rota estratégica por onde passa cerca de 20% do transporte global de petróleo, mudanças na infraestrutura de pagamento podem ocorrer, indo além de uma simples escolha de pagamento, sendo vistas como sinais geopolíticos.
O Irã propôs opções de pagamento de taxas usando o yuan, stablecoins atreladas ao dólar e Bitcoin. À primeira vista, trata-se de uma medida para ampliar as opções, mas análises sugerem que, em um ambiente de sanções, a inclusão de ativos “resistentes à censura” no sistema de pagamento pode, por si só, representar um peso para a estratégia de pressão dos EUA sobre o Irã e seu controle financeiro.
Diferenças entre a imutabilidade do stablecoin e do Bitcoin
O Instituto de Políticas de Bitcoin (BPI) explica que, embora o Irã prefira usar stablecoins na prática, em transações específicas, as características do Bitcoin se destacam. Os emissores de stablecoins podem implementar congelamentos em contratos inteligentes, dificultando a transferência de ativos, enquanto o Bitcoin não possui uma entidade controladora única, tornando muito difícil bloquear transações em massa na rede.
Sam Lyman, diretor de pesquisa do BPI, afirma que este é um “exemplo bastante claro de Bitcoin como ‘ativo estratégico’”, e que a razão pela qual o Irã escolhe BTC em algumas liquidações é “porque ninguém pode congelá-lo”. Isso é interpretado não apenas como uma forma de evitar sanções, mas também como uma escolha de países que buscam garantir rotas de liquidação e compensação em situações de crise.
Controvérsia revelada pela audiência no Senado sobre “lacuna de percepção”
Essa situação também foi tema de discussão na audiência do Comitê de Forças Armadas do Senado dos EUA. O almirante Samuel Paparo, da Marinha dos EUA, ao explicar a postura do Comando Indo-Pacífico, mencionou que o governo dos EUA opera nós de Bitcoin e o define como uma “fusão de tecnologia de criptografia, blockchain e prova de trabalho (PoW)”. Isso equivale a descrevê-lo como uma ferramenta de ciência da computação e de “projeção de poder”.
No entanto, Matthew Kratter, conhecido por seu trabalho na educação sobre criptomoedas, criticou publicamente essa declaração, dizendo que “parece uma leitura da Wikipedia”. Ele apontou que, inclusive, o senador Tommy Tuberville, que participou da sessão de perguntas e respostas, e outros participantes principais, não compreenderam corretamente o funcionamento do Bitcoin e seu significado estratégico, o que gerou uma conversa equivocada.
Avisos com dados de uso real do Irã
Um ponto de atenção na comunidade de Bitcoin é que, mesmo que as forças armadas dos EUA considerem as criptomoedas como ativos estratégicos, se os formuladores de políticas ficarem presos a termos abstratos como “projeção de poder”, será difícil estabelecer confiança. Há preocupações de que a vantagem do Bitcoin reside na sua característica de “difícil de bloquear transações por qualquer pessoa”, e se essa ideia não for claramente compreendida, as políticas podem ficar apenas na retórica.
A declaração de pagamento pelo Estreito de Ormuz torna essa lacuna ainda mais evidente. Segundo dados do BPI, nas transações de criptomoedas do Irã, estima-se que quase metade do volume de mercado esteja relacionado à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC). Ou seja, as criptomoedas deixaram de ser uma experiência marginal e passaram a ser ferramentas utilizadas de forma deliberada por países e organizações militares. Algumas análises sugerem que a “capacidade de compreensão estratégica” dos EUA em relação ao Bitcoin (BTC) também está sendo testada, na medida em que essa ferramenta passa a ser empregada de forma mais consciente.
Resumo do artigo por TokenPost.ai
🔎 Interpretação de mercado Com a inclusão do Bitcoin (BTC) como opção de pagamento de taxas no Estreito de Ormuz, a avaliação das criptomoedas como ‘meio de pagamento’ e ‘infraestrutura estratégica em ambientes de geopolítica/sanções’ ganha força. Em rotas estratégicas responsáveis por cerca de 20% do transporte global de petróleo, mudanças na infraestrutura de pagamento podem ocorrer, estimulando debates sobre a eficácia de sanções financeiras e a competição por soberania nos sistemas de pagamento. A inclusão de stablecoins (ligadas ao dólar), yuan e BTC como opções indica que a demanda por ativos “resistentes à censura” está se expandindo para o setor de pagamentos reais. 💡 Pontos estratégicos Em ambientes de alto risco de sanções e congelamentos, o Bitcoin, por sua característica de “difícil de bloquear na rede”, pode ter vantagem sobre stablecoins cuja emissão ou gestão podem ser congeladas por seus emissores. Em termos de política/segurança, não se deve focar em termos técnicos (PoW, blockchain), mas sim na essência do BTC (resistência à censura, ausência de controle central, dificuldade de bloqueio de transações) para desenvolver estratégias. Como estimado pelo BPI, se uma grande proporção das transações no Irã estiver relacionada à IRGC, é necessário tratar as criptomoedas como “ferramentas de uso por Estados e organizações militares” e fortalecer monitoramento, rastreamento e cooperação regulatória. 📘 Termos explicativos Estreito de Ormuz: rota marítima estratégica que responde por cerca de 20% do transporte global de petróleo. Stablecoin: ativo criptográfico atrelado ao valor de moedas fiduciárias como o dólar (pode ter funções de congelamento). Bitcoin (BTC) ‘não congelável’ (resistência à censura): por não possuir uma entidade controladora única, é difícil bloquear em massa transações específicas na rede. Nó (Node): computador que valida transações e blocos na rede Bitcoin, seguindo regras. Prova de Trabalho (PoW): mecanismo de consenso que mantém a segurança da rede por meio de cálculos competitivos para gerar blocos.