O Ethereum caiu mais 10,2% nesta semana, com a relação ETH/BTC afundando em direção a 0,0275, e o market maker Wintermute agora chama ETH de forma direta de “não é o ativo certo para este cenário macro”, enquanto rendimentos e inflação continuam pressionando para cima.
Resumo
* Wintermute diz que ETH “não é o ativo certo para este cenário macro” à medida que os rendimentos reais sobem e a inflação volta a acelerar.
* ETH recuou 10,2% nesta semana, com o par ETH/BTC pressionando 0,0275 diante de desempenho fraco tanto em spot quanto em derivativos.
* A empresa também alerta que ficar comprado de BTC sem rodeios é uma aposta de que instituições vão ignorar a alta dos rendimentos dos Treasuries e voltar em maior escala.
De acordo com uma nota compartilhada por canais do setor e resumida pela WuBlockchain no X, a Wintermute diz que a mais recente queda semanal de 10,2% do Ethereum (ETH) mantém um padrão de desempenho abaixo do esperado “em ambos os mercados de spot e de derivativos”, com a relação ETH/BTC pressionando 0,0275 enquanto traders giram de beta de smart contracts para cantos mais seguros do ecossistema cripto. O veredito da empresa é direto: “ETH não é o ativo certo para este cenário macro”, citando um ambiente de rendimentos dos Treasuries em alta, preocupações renovadas com a inflação e um mercado que está recompensando narrativas de ativos “hard” e clareza de fluxo de caixa em vez de apostas em tecnologia de longa duração.
A leitura macro da Wintermute é que o cripto agora negocia mais como uma extensão de alto beta do risco de ações e crédito, e que o regime atual — com a inflação voltando a acelerar, rendimentos reais mais pegajosos e trades lotados em ações de IA e growth — é hostil a ativos cujo pagamento fica muito distante no horizonte. Ethereum, cujo argumento principal de alta se apoia em crescimento futuro de taxas com DeFi, ativos do mundo real e atividade em L2, se encaixa nesse perfil de “long duration”, e a ausência de uma aceleração decisiva de uso on-chain o deixa especialmente vulnerável quando as taxas de desconto sobem. Trabalhos técnicos recentes têm apontado para um ETH irregular, preso em faixa, com apenas “otimismo comedida” para níveis como US$ 2.300, alertando que um MACD de baixa e suporte frágil na faixa das baixas de US$ 2.000 podem tornar o caminho ainda mais confuso, no melhor dos casos.
No Bitcoin, a Wintermute também não está batendo na mesa com força. A empresa ressalta que ficar comprado de BTC abertamente nos níveis atuais equivale, na prática, a uma aposta macro de que investidores institucionais vão voltar aos mercados spot e de ETF, apesar dos rendimentos mais altos e de uma trajetória de inflação ainda incerta — algo que ela acredita ser “difícil” até que os mercados digiram totalmente o pano de fundo em mudança e o trade de IA mostre sinais de esfriamento. Em relatórios anteriores, a Wintermute argumentou que ações e tokens ligados à IA têm “absorvido continuamente os fundos disponíveis do mercado”, deixando a descoberta de preço em cripto como “alta volatilidade, baixa demanda em spot”, enquanto a venda nos EUA e as saídas de ETF corroem.
Essa visão se conecta à projeção mais ampla da empresa para 2026, na qual ela já declarou o ciclo clássico de cripto de quatro anos “encerrado” e substituiu por um regime dominado por fluxos de capital institucional e esteiras de produtos como ETFs e trusts de ativos digitais. Nesse modelo, nem narrativas de halving nem upgrades incrementais de protocolo bastam; o que importa é se as exigências de ETF se ampliam, se grandes alocadores decidem tratar BTC novamente como colateral macro, e se a atividade em mercado secundário e de lançamento de tokens (“atividade DAT”) realmente ganha tração.
Por enquanto, a mensagem da Wintermute é que o cripto está preso em uma situação macro desconfortável: há liquidez, mas ela está sendo direcionada para IA e ações; os rendimentos estão subindo, tornando apostas em cripto de longa duração menos atraentes; e os fluxos estruturais para BTC e ETH estão contidos. Nesse conjunto, a combinação de duration do ETH, um crescimento de taxas ainda não comprovado e perda de momentum da narrativa faz com que ele, nas palavras da empresa, “não seja o ativo certo para este cenário macro”, enquanto até compras de BTC estão, na prática, ficando para trás em relação ao mercado de títulos e apostando que a disposição de risco institucional volte para ativos digitais antes que algo no mercado tradicional “estale”.