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A Sanofi acaba de oficializar o que muitos já previam: Paul Hudson não continuará como CEO. Uma mudança que diz muito sobre o estado de uma grande farmacêutica sob pressão.
Paul Hudson foi contratado pela Sanofi em 2019 com uma missão clara: relançar a pipeline de medicamentos e fazer o preço das ações subir. Seis anos depois, o balanço está complicado. Claro, ele teve sucessos — Dupixent continua sendo uma vaca leiteira, com vendas que atingiram 4,2 bilhões de euros no quarto trimestre de 2025, um crescimento de 32,2%. Mas esse também é o problema: a empresa permaneceu demasiado dependente de um único medicamento, e o mercado sabe disso.
O que afundou Paul Hudson, porém, foi a gestão do segmento de vacinas. No quarto trimestre, as vendas caíram 2,5%, para 2 bilhões de euros, com Beyfortus sofrendo uma queda de 14,9%. Certamente, as vacinas contra gripe e COVID tiveram um desempenho melhor, com um aumento de 31,5%, mas isso não foi suficiente para compensar. Os investidores ficaram irritados, o Conselho começou a pedir 'maior rigor' — e aqui entendemos a mensagem real.
No seu lugar, chega Belén Garijo, ex-CEO da Merck KGaA desde 2021. Um perfil bem diferente: a primeira mulher a liderar uma empresa do índice DAX40 na Alemanha, e o Conselho claramente aposta nela para trazer uma gestão mais severa. Suas prioridades serão fortalecer a produtividade e acelerar o desenvolvimento de novos medicamentos, com o amlitelimab que pode se tornar o sucessor do Dupixent.
A transição acontecerá formalmente em 29 de abril de 2026, enquanto Olivier Charmeil (VP Executivo, Medicamentos Gerais) atuará como interim até lá. Enquanto isso, o mercado já reagiu: o título SNY caiu 6,25% nas negociações pré-mercado, a 46,17 dólares.
Essa história de Paul Hudson na Sanofi é um bom lembrete de como até as grandes farmacêuticas não estão imunes às pressões do mercado. Às vezes, você é contratado para salvar uma empresa, mas se não consegue diversificar o risco e inovar rapidamente, seu tempo também acaba.