
As autoridades francesas prenderam seis suspeitos após uma magistrada e a sua mãe serem sequestradas e mantidas numa garagem, com os captores a exigir um resgate em criptomoeda.
O incidente faz parte de um alarmante aumento de 75% em ataques violentos de “chave de fenda crypto” em 2025, com mais de $41 milhões perdidos e a França a emergir como um hotspot global. Esta tendência sublinha os riscos críticos e crescentes de segurança física associados à posse de ativos digitais à medida que a adoção aumenta.
Num ataque audacioso que destaca a obscura interseção entre crime e criptomoeda, a polícia francesa deteve seis indivíduos após o sequestro de uma magistrada e da sua mãe idosa. Os sequestradores mantiveram as mulheres por várias horas numa garagem na região de Drôme, até que um vizinho atento ouviu barulhos, interveio e possibilitou a fuga delas. Ambas as vítimas apresentavam ferimentos.
De acordo com os procuradores, os sequestradores exigiram especificamente um resgate em criptomoeda. Visaram o parceiro da magistrada, que estava ausente durante o sequestro, enviando uma mensagem com uma foto das captivas para pressionar o pagamento. O procurador Thierry Dran revelou que a magistrada era “uma associada numa startup com atividades em criptomoeda”, sugerindo um alvo deliberado com base na riqueza percebida em crypto. No final, nenhum resgate foi pago. Este caso segue um padrão perturbador de sequestros de alto perfil semelhantes em França, incluindo o sequestro de 2025 do cofundador da Ledger, David Balland, onde os atacantes cortaram-lhe o dedo para forçar um pagamento em crypto.
A escala desta operação — envolvendo até cinco sequestradores — levantou preocupações entre especialistas em segurança. Um representante da firma de segurança blockchain CertiK disse à Decrypt que, embora os métodos sejam típicos de “incidentes do tipo chave de fenda”, o nível de coordenação sugere que estes crimes estão a evoluir “para crime organizado”. O caso é um lembrete claro de que a pseudonimidade e a natureza irreversível das transações em crypto, embora benéficas para utilizadores legítimos, também são vetores atraentes para extorsão.
Este sequestro não é um evento isolado, mas parte de uma tendência global perigosa e em aceleração. Um novo relatório da CertiK confirma que 2025 foi um “ano recorde” para os chamados ataques de chave de fenda crypto — agressões físicas, sequestros e invasões domiciliares dirigidas a detentores de ativos digitais. Os incidentes verificados aumentaram 75% em relação ao ano anterior, atingindo 72 ataques, com perdas financeiras confirmadas superiores a $40,9 milhões.
O epicentro geográfico desta onda de crimes mudou drasticamente. Enquanto a Ásia continua a ser uma zona de alto risco, a Europa agora representa mais de 40% dos ataques globais, quase duplicando a sua quota em 2024. A França tornou-se o país mais afetado, registando 19 ataques no ano passado, ultrapassando os Estados Unidos, que tiveram oito. Este aumento é atribuído ao crescimento de grupos criminosos na França, Espanha e Suécia, que visam especificamente detentores de crypto.
Angela Ang, da TRM Labs, observa que em 2025 ocorreram aproximadamente 60 agressões físicas reportadas contra detentores de crypto. “O aumento do uso de crypto em sequestros e extorsões reflete a adoção mainstream da crypto”, afirmou. Os criminosos usam cada vez mais as redes sociais e até acessos ilícitos a bases de dados governamentais — como visto num caso francês separado envolvendo um funcionário fiscal corrupto — para construir perfis detalhados de potenciais alvos, focando-se em indicadores públicos de riqueza em criptomoeda.
Os dados pintam um quadro claro de uma crise de segurança em escalada para utilizadores de crypto:
Para quem é novo neste espaço, o termo “ataque de chave de fenda” origina-se da piada sombria de que o elo mais fraco na segurança de criptomoedas não é a sua carteira de software, mas a ameaça de uma chave de fenda à cabeça. Refere-se a qualquer ato físico de violência ou coerção usado para roubar segredos de criptomoeda — principalmente frases-semente ou chaves privadas — ou forçar uma vítima a transferir fundos.
Ao contrário de hacking remoto, os ataques de chave de fenda evitam todas as medidas de segurança digital. Os métodos comuns incluem:
A atratividade para os criminosos é dupla. Primeiro, as transações em criptomoeda são pseudónimas e em grande parte irreversíveis, dificultando rastrear e recuperar fundos roubados. Segundo, vítimas com grandes holdings de crypto podem estar menos propensas a manter toda a sua riqueza em contas bancárias tradicionais rastreáveis, tornando a coerção física uma estratégia viável — embora horrível. Como nota a CertiK, enquanto a crypto torna o mecanismo de resgate eficiente, a ameaça subjacente à segurança pessoal por ganho financeiro não é exclusiva dos ativos digitais.
À medida que o panorama de ameaças evolui, também devem evoluir as práticas de segurança pessoal. Confiar apenas numa carteira de hardware é insuficiente se se tornar um alvo. Especialistas em segurança recomendam uma abordagem em múltiplas camadas, focada em segurança operacional (OpSec) e na negação plausível.
Para investidores individuais:
Para indivíduos de alto património e suas famílias:
O caso trágico da magistrada francesa é um alerta sério. À medida que a criptomoeda continua a sua jornada para o mainstream, a comunidade deve priorizar a segurança física com o mesmo rigor aplicado às salvaguardas digitais. Discrição, segurança em camadas e consciência — na cadeia, online e offline — já não são opcionais para detentores sérios.
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