A Califórnia estabeleceu um prazo firme para a concessão de licenças às empresas de ativos digitais que desejam continuar atendendo residentes do estado.
O Departamento de Proteção Financeira e Inovação da Califórnia divulgou uma atualização formal sobre a implementação da Lei de Ativos Financeiros Digitais, confirmando que qualquer pessoa ou empresa que realize atividades relacionadas a criptomoedas para ou em nome de residentes da Califórnia deve, até 1 de julho de 2026, possuir uma licença DFAL, ter submetido uma candidatura ou qualificar-se para uma isenção.
As candidaturas abrirão em 9 de março de 2026, através do Sistema Nacional de Licenciamento Multestados (NMLS), com os reguladores incentivando as empresas a revisarem a lista de verificação do NMLS e a participarem do treinamento do setor agendado para 23 de março.
Assinada em lei em outubro de 2023 pelo Governador Gavin Newsom, a DFAL cria um regime abrangente de licenciamento e supervisão em todo o estado para muitos serviços de ativos cripto, incluindo requisitos adicionais para quiosques de criptomoedas.
A estrutura e o escopo da lei têm sido comparados ao BitLicense de Nova York de 2015, um quadro regulatório que, no passado, levou grandes empresas como Kraken e Bitfinex a saírem daquele estado devido à reação da indústria.
A Califórnia abriga cerca de um quarto das empresas de blockchain do país, alimentando temores familiares de mais uma saída impulsionada por regulamentação.
“California é a quarta maior economia do mundo, portanto, suas decisões regulatórias inevitavelmente têm peso,” disse Joe Ciccolo, diretor executivo da California Blockchain Advocacy Coalition, ao Decrypt. “Embora a DFAL seja uma lei estadual, empresas que desejam acesso aos residentes da Califórnia podem padronizar seus programas de conformidade nacionalmente, em vez de operar estado por estado.”
Ciccolo afirmou que regras mais claras e previsíveis poderiam melhorar os esforços de licenciamento estaduais anteriores, mas alertou para a pressão na transição, acrescentando: “Regras claras tendem a atrair operadores sérios e capital institucional,” e que “players marginais ou com recursos limitados podem optar por sair da Califórnia em vez de atender aos novos padrões de licenciamento.”
Sobre possíveis atrasos na aprovação, o executivo disse que a DFPI tomou medidas proativas, abrindo as candidaturas em 9 de março e divulgando uma lista de verificação detalhada, que, segundo ele, deve reduzir as interrupções para as empresas que apresentarem candidaturas completas e antecipadas.
Ele também destacou riscos além da consolidação de mercado, alertando que, se a fiscalização for vista como “excessivamente agressiva ou desalinhada com as realidades operacionais,” a atividade pode migrar para o exterior ou para a clandestinidade.
“Encontrar o equilíbrio certo entre proteção ao consumidor e viabilidade de mercado será fundamental,” acrescentou.
Empresas que perderem o prazo sem uma candidatura ativa ou uma isenção válida enfrentarão ações de fiscalização.