A Coinbase (COIN) disse na quinta-feira que recebeu aprovação inicial para um estatuto de empresa fiduciária nacional (national trust company charter) por parte do U.S. Office of the Comptroller of the Currency, segundo a Bloomberg, assinalando um passo no sentido de poder operar como um custodiante de cripto regulado a nível federal.
A aprovação não é final. Trata-se de um sinal verde condicional que define os requisitos que a Coinbase tem de cumprir antes de poder receber um estatuto completo. Estes normalmente incluem desenvolver sistemas de conformidade, contratar pessoal-chave e passar por análises regulatórias. A OCC também espera que as empresas demonstrem que conseguem gerir o risco, proteger os ativos dos clientes e cumprir regras de prevenção do branqueamento de capitais. Só depois de esses passos estarem concluídos é que a agência pode conceder a aprovação total.
“Ainda precisamos de aprovação final… o nosso negócio não vai operar ao abrigo de um estatuto da OCC até termos essa aprovação final”, disse Paul Grewal, diretor jurídico (chief legal officer) da Coinbase, à CoinDesk. “Esta próxima fase permite-nos entrar em mais detalhe sobre como podemos alargar o nosso negócio de formas que são empolgantes e importantes para o desenvolvimento das criptomoedas.”
Se for finalizado, o estatuto permitiria à Coinbase operar como uma empresa fiduciária nacional não segurada. Esta estrutura permite que a empresa detenha ativos digitais em nome dos clientes, mas impede-a de aceitar depósitos ou conceder empréstimos.
A Coinbase apresentou pela primeira vez o pedido do estatuto em outubro, juntamente com empresas como a Ripple. Mais recentemente, a bolsa EDX Markets, apoiada pela Citadel, disse que tinha apresentado um pedido para uma estrutura semelhante. O conjunto de candidaturas sugere uma procura crescente por custódia regulada à medida que grandes investidores entram nos mercados de cripto.
Para as instituições, a custódia tem menos a ver com negociação e mais com confiança. Um fundo de pensões, por exemplo, pode querer exposição ao bitcoin, mas precisa de uma entidade regulada para deter o ativo de forma segura. Um estatuto federal pode proporcionar essa garantia de um modo que as licenças estaduais podem não conseguir.
A medida alinha-se com o esforço da Coinbase para depender menos de comissões de negociação, que podem variar com os ciclos do mercado. A custódia oferece receitas mais estáveis. A empresa já atua como custodiante de vários U.S. spot bitcoin exchange-traded funds, detendo os ativos subjacentes em nome dos gestores dos fundos.
“O grandeportunidade à frente seria pagamentos… relacionados com custódia, mas separados”, disse Grewal. “Achamos que seremos capazes de oferecer aos nossos clientes uma gama muito mais vasta de produtos e serviços do que nunca antes.”
ATUALIZAÇÃO (2 de abril, 16:57 UTC): Adiciona comentários do diretor jurídico da Coinbase, Paul Grewal.