As regulamentações para a DeFi estão a voltar ao centro das atenções à medida que a indústria das criptomoedas e a Wall Street continuam em confronto sobre a proposta de “isenção para inovação” (innovation exemption) para ativos tokenizados.
No dia 1/4, a DeFi Education Fund (DEF) enviou uma carta à Comissão de Valores Mobiliários e de Câmbios dos EUA (SEC), salientando que os protocolos descentralizados não devem ser “classificados erradamente” como intermediários semelhantes às bolsas tradicionais centralizadas.
Ayan Dow, jurista da DEF, argumenta que as ferramentas DeFi — mesmo quando fornecem liquidez ou operam de forma automatizada — não desempenham a função de uma bolsa. Assim, tanto a tecnologia como a equipa de desenvolvimento por trás não deveriam ser submetidas a um quadro regulatório destinado a instituições intermediárias.
Fonte: Segundo a DEF, as aplicações não custodiais (non-custodial) não cumprem os critérios legais de um intermediário nem de uma bolsa. A atribuição de um papel de intermediário aos programadores — enquanto eles não controlam as plataformas que constroem — criaria um ónus de conformidade desproporcionado e travaria a inovação. A partir daí, esta entidade propõe excluir do âmbito regulamentar componentes como software não custodial, AMM, contratos inteligentes e programadores que não tenham controlo.
A posição da DEF é apresentada em resposta ao ponto de vista da Securities Industry and Financial Markets Association — uma organização que representa o setor financeiro tradicional. A SIFMA sustenta que a SEC deve regular os AMM e as plataformas DeFi com base no seu papel real no apoio a transações de valores mobiliários tokenizados, em vez de se basear no grau de descentralização.
Segundo a SIFMA, esta abordagem assegura a neutralidade tecnológica, quando a regulamentação é concebida em torno da função de mercado e não da arquitetura do protocolo.
Fonte: SECEsta perspetiva também vai ao encontro de uma posição anterior da Citadel Securities, uma organização que apelou à aplicação de regulações rigorosas às plataformas DeFi relacionadas com valores mobiliários tokenizados. Do ponto de vista da Wall Street, o aperto regulatório é necessário para proteger os investidores, sobretudo num contexto em que esta área tem registado vários casos de fraude e colapsos de grande escala.
No entanto, a DEF considera que o motor das organizações financeiras tradicionais não é completamente neutro. A Citadel Securities continua ainda dependente, de forma significativa, do modelo de intermediário centralizado, especialmente através de plataformas de retalho como a Robinhood. Por conseguinte, o crescimento da DeFi — com a capacidade de eliminar o papel de intermediário — pode constituir uma ameaça direta aos seus interesses empresariais essenciais.
Perante a evidência cada vez mais nítida de duas correntes de opinião em confronto, o modo como a SEC equilibra a promoção da inovação e a garantia de conformidade será determinante para moldar, no futuro próximo, o quadro de “isenção” para valores mobiliários tokenizados.