O regulador dos mercados financeiros de França alertou as empresas de cripto que operam na União Europeia de que, caso não garantam a aprovação regulatória até 30 de junho, poderão ser incluídas em listas negras e enfrentarem processos judiciais. Marie-Anne Barbat-Layani, presidente da Autorité des Marchés Financiers (AMF), afirmou na quinta-feira que as firmas sem licenças até ao prazo correm o risco de medidas legais se continuarem a prestar serviços a clientes da UE, segundo a Reuters. O aviso surge à medida que as autoridades europeias concluem a implementação da regulamentação Markets in Crypto-Assets (MiCA), um quadro abrangente adotado pela UE em 2023 para trazer supervisão regulatória ao setor cripto nos 27 Estados-membros. Ao abrigo da MiCA, as empresas de cripto devem obter uma licença dos reguladores num Estado-membro da UE para operarem legalmente em todo o bloco, através de um sistema de “passporting” que permite às empresas aprovadas oferecerem serviços em vários países. Os reguladores europeus aceleraram o trabalho de regulação do cripto após a queda de grandes empresas do setor, incluindo a FTX, em 2022, o que desencadeou perdas de clientes na ordem dos mil milhões de dólares e levou a investigações em várias jurisdições.
Requisitos do quadro MiCA
A regulamentação Markets in Crypto-Assets estabelece requisitos que abrangem proteções para consumidores, reservas para stablecoins, obrigações de transparência e padrões operacionais para prestadores de serviços de cripto. As regras foram formalmente adotadas pela União Europeia em 2023 e são amplamente consideradas como um dos quadros regulatórios de cripto mais abrangentes do mundo. Várias grandes empresas do setor já obtiveram aprovações relacionadas com a MiCA ou apresentaram pedidos em países como França, Alemanha e Irlanda, à medida que as empresas procuram preservar o acesso aos clientes europeus. Dirigentes da indústria e analistas jurídicos disseram que a MiCA poderá reconfigurar a forma como as empresas de cripto estruturam as operações na Europa, aumentando os custos de conformidade, ao mesmo tempo que cria um enquadramento legal mais claro para investidores institucionais e bancos que entram no setor de ativos digitais.
Consequências da execução
Barbat-Layani disse aos jornalistas na quinta-feira que “está a tornar-se muito, muito urgente finalizar os pedidos de licenças”. A Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA) tinha previamente avisado as empresas sem autorização MiCA para estabelecer “planos de encerramento ordenado” caso tencionem cessar operações dentro do bloco, segundo orientações publicadas pelo regulador mais cedo este ano. As empresas que não garantirem licenças até 30 de junho correm o risco de serem adicionadas a listas negras e enfrentarem medidas de aplicação da lei se continuarem a servir clientes da UE, informou a Reuters.
Preocupações entre jurisdições
Os reguladores franceses manifestaram preocupação com diferenças na forma como os Estados-membros da UE interpretam e aplicam as regras da MiCA. As aprovações de licenciamento de Malta foram escrutinadas no ano passado, depois de alguns responsáveis europeus terem questionado se os padrões estavam a ser aplicados de forma consistente em todo o bloco. Barbat-Layani afirmou que França consideraria bloquear os direitos de “passporting” associados a licenças emitidas por outros países da UE se os reguladores franceses discordassem de como essas aprovações foram concedidas, informou o TradingView na quinta-feira. Barbat-Layani disse que tal medida representaria uma “falha coletiva séria” entre os reguladores europeus, segundo a Reuters. A AMF tem estado entre os reguladores europeus mais ativos na supervisão dos mercados de cripto e da publicidade de ativos digitais nos últimos anos. França tinha anteriormente introduzido requisitos obrigatórios de registo para empresas de cripto antes de o quadro mais amplo a nível da UE da MiCA entrar em vigor.
Contexto regulatório
Os reguladores europeus aumentaram o escrutínio da indústria de cripto após anos de volatilidade de mercado, colapsos de bolsas e investigações sobre fraudes que levaram governos em todo o mundo a apertar a supervisão de ativos digitais. O setor tem permanecido sob atenção reforçada, devido a preocupações com a evasão de sanções, financiamento do cibercrime e branqueamento de capitais associados a conflitos geopolíticos envolvendo a Rússia, o Irão e a Coreia do Norte. Embora os reguladores europeus avancem para uma supervisão mais apertada, os Estados Unidos mudaram recentemente para uma abordagem mais favorável à indústria sob a administração do presidente Donald Trump, o que aliviou alguma pressão de aplicação sobre empresas de cripto e plataformas de negociação de ativos digitais. As autoridades em vários países intensificaram investigações sobre fraudes relacionadas com cripto, financiamentos ilícitos e plataformas de negociação não registadas.
Perguntas frequentes
Qual é o prazo para as empresas de cripto obterem licenças MiCA?
As empresas de cripto têm de obter uma licença dos reguladores num Estado-membro da UE até 30 de junho para continuarem a operar legalmente em todo o bloco.
Quais são as consequências para as empresas que não garantirem licenças MiCA?
As empresas que não garantirem licenças até ao prazo correm o risco de serem adicionadas a listas negras e de enfrentarem medidas de aplicação da lei se continuarem a servir clientes da UE, segundo a presidente da AMF, Marie-Anne Barbat-Layani.
O que levou a UE a acelerar a regulação do cripto?
Os responsáveis europeus aceleraram o trabalho de regulação do cripto após a queda de grandes empresas do setor, incluindo a FTX, em 2022, o que desencadeou perdas de clientes na ordem dos mil milhões de dólares e levou a investigações em várias jurisdições.