Transferências cripto estruturadas e bens de luxo foram alegadamente utilizados para esconder fundos ligados ao financiamento do terrorismo na Espanha.
Autoridades espanholas detiveram um cidadão chinês perto de Barcelona devido a alegados laços entre fluxos ilícitos de criptomoedas e financiamento do terrorismo. Segundo relatos, um pequeno negócio local serviu de cortina de fumaça para a operação. Os responsáveis agora enquadram o caso como uma questão de segurança nacional com alcance transfronteiriço.
A rastreabilidade financeira da operação começou há meses, durante uma investigação de fraude separada. Segundo os investigadores, atividades suspeitas em carteiras logo chamaram a atenção da polícia regional.
Durante a investigação, os responsáveis identificaram transferências de criptomoedas repetidas que pareciam ser planeadas, em vez de casuais. À medida que as provas aumentavam, outras agências, incluindo unidades de contra-terrorismo, acompanharam o caso.
Segundo relatórios policiais, o suspeito de 38 anos geria um salão de cabeleireiro nos arredores de Barcelona. Os investigadores acreditam que o negócio serviu de fachada, permitindo ao acusado gerir várias carteiras digitais sem serem vistas ao público.
Pelo menos 31 transferências movimentaram perto de €600.000 através de canais de criptomoedas. Analistas ligaram os endereços de destino a uma estrutura de financiamento utilizada pelo Hamas, disseram os investigadores.
Os padrões sugeriram uma estrutura deliberada para mascarar os destinatários. Os registos na blockchain por si só não contaram toda a história. Os investigadores confiaram na análise humana para mapear intenções e relações entre carteiras.
As autoridades delinearam sinais de alerta chave ligados à alegada operação:
Os agentes invadiram o salão e a residência do suspeito, apreendendo ativos incluindo bens em criptomoedas e grandes quantidades de dinheiro em espécie. Joias, computadores e vários telemóveis também foram recuperados no local.
Cerca de 9.000 charutos também foram recuperados. E, curiosamente, isto levantou novas questões sobre lavagem de dinheiro. Durante a operação, contas bancárias ligadas ao suspeito foram congeladas, com o valor total dos ativos retidos avaliado em mais de €370.000.
Os investigadores acreditam que os bens apreendidos podem indicar outra forma de lavagem de dinheiro. Os fundos digitais provavelmente foram convertidos em bens de luxo que podem ser vendidos ou trocados. A polícia ainda está a rever dispositivos para identificar outras pessoas envolvidas.
Há alguns anos, a União Europeia tinha listado o Hamas como um grupo terrorista. Autoridades espanholas alertaram que grupos militantes recorreram ao movimento de fundos através de ativos digitais devido à falta de supervisão transfronteiriça. As autoridades pediram uma coordenação mais estreita entre o canal financeiro e as forças de segurança para uma regulamentação melhorada.