A dívida de Latam e as ações, que superaram seus pares tanto em mercados desenvolvidos quanto emergentes, estão virando oportunidades em uma região onde vários países estão isolados da crise energética que atinge outros continentes por dependerem de condições ligadas aos conflitos geopolíticos em curso.
Principais pontos:
- Com a guerra no Oriente Médio em andamento, moedas fiduciárias no Brasil e na Argentina subiram, atraindo entradas futuras.
- Após uma intervenção da Administração Trump em janeiro, a Venezuela pode oferecer uma nova oportunidade de mercado.
- Jack McIntyre, da Brandywine, que administra US$ 44 bilhões, prevê que os mercados asiáticos vão deslocar recursos para o petróleo de Latam em seguida.
Latam, Isolada de Problemas Energéticos, Vira Oportunidade de Investimento Durante a Guerra
Em tempos de guerra, os investidores ajustam seus portfólios para navegar pelas complexidades da guerra e manter seu desempenho em dia.
Nesse cenário, os mercados de Latam, que viraram uma espécie de porto seguro para investidores, estão avançando como alternativas que, em alguns aspectos, estão isoladas da crise energética causada pelo conflito em curso no Oriente Médio por conta de sua produção endógena de petróleo.
As moedas fiduciárias da Argentina e do Brasil estão entre as poucas que valorizaram frente ao dólar desde que a guerra começou, e títulos em dólar do Equador e da Colômbia, que têm uma produção relevante de petróleo, também tiveram bom desempenho em sua categoria. Analistas também apontam a Venezuela como uma oportunidade futura, já que a Administração Trump segue pressionando por mudanças depois de ter interferido no país em janeiro.

A falha em chegar a um fim para o conflito EUA-Israel-Irã após um breve cessar-fogo só faz com que essas apostas sigam firmes, já que a incerteza que toma conta dos mercados principais é menos disseminada na região.
Anthony Kettle, gestor sênior de portfólio de mercados emergentes da RBC Bluebay em Londres, disse à Bloomberg que suas escolhas de maior convicção agora estão centradas em Latam. “Mirar soberanos e corporates que se beneficiam — ou, pelo menos, são mais resilientes — a preços de energia mais altos continua sendo um de nossos temas preferidos”, destacou.
Além disso, alguns apostam na alta desses mercados à medida que economias asiáticas e até os EUA começam a buscar diversificação de suas fontes de petróleo usuais, levando mais recursos às economias da região. Jack McIntyre, que ajuda a supervisionar US$ 44 bilhões em ativos globais de renda fixa na Brandywine Global Investment Management, compartilha dessa visão.
Além disso, as altas taxas de juros na região continuam tornando o carry trade atraente para investidores, que tomam dívida em outros países para investir em Latam. Jonathan Fortun, economista sênior do Institute of International Finance, disse que números recentes sugerem que “o apoio de commodities e o apelo relativo do carry” seguem amortecendo a região contra perdas de mercado.