Uma nova onda de especulações atingiu o mundo cripto após o Departamento de Justiça dos EUA divulgar mais de 3 milhões de páginas adicionais dos ficheiros Epstein. A maior parte da reação pública concentrou-se no choque esperado em torno de Epstein, mas um detalhe surpreendeu o mundo das criptomoedas.
Alguns dos documentos recentemente divulgados mencionam o Bitcoin.
Isso foi suficiente para colocar as redes sociais em alta velocidade. Publicações virais no X e Reddit começaram rapidamente a criar teorias, variando desde Epstein conhecer desenvolvedores iniciais de Bitcoin até à alegação mais extrema de todas: que Epstein era secretamente Satoshi Nakamoto.
O último vídeo do Coin Bureau, apresentado por Guy, corta o ruído e foca no que os ficheiros realmente mostram, e no que não mostram.
Como explica o Coin Bureau, os ficheiros Epstein contêm décadas de material investigativo: registos judiciais, emails, notas de entrevistas, rastros financeiros e comunicações recolhidas pelas autoridades.
O ponto principal é que o Bitcoin aparece nos ficheiros não como um tema central, mas como parte do interesse mais amplo de Epstein por sistemas financeiros emergentes.
Uma das primeiras menções vem de um email de 2012, onde Epstein supostamente escreveu:
“Os rapazes do Bitcoin disseram que não se importavam de ir para a prisão. Desculpe, não sou eu.”
A observação parece estranha agora, mas também mostra que Epstein tinha conhecimento do Bitcoin muito cedo, muito antes de se tornar um ativo mainstream.
O Coin Bureau também destaca uma ligação ainda mais surreal: Epstein contactou o desenvolvedor inicial do Bitcoin Gavin Andresen em junho de 2011, solicitando uma chamada telefónica poucos dias antes de Andresen visitar a sede da CIA para discutir o Bitcoin.
O rasto fica frio após isso, mas o timing por si só alimentou anos de especulação sobre o interesse de inteligência nos primeiros dias do Bitcoin.
A revelação mais significativa na análise do Coin Bureau envolve a Iniciativa de Moeda Digital do MIT (DCI), uma das principais fontes de financiamento para os desenvolvedores do Bitcoin Core durante um período crítico.
Em 2015, Epstein ajudou a financiar o diretor do MIT Media Lab, Joichi Ito, e algumas dessas doações estavam ligadas ao DCI, que pagou salários a vários contribuidores do Bitcoin Core.
Isto significa que o dinheiro de Epstein apoiou indiretamente o desenvolvimento do Bitcoin.
No entanto, o Coin Bureau destaca uma distinção importante: financiar desenvolvedores de código aberto não equivale a controlar o Bitcoin.
Não há evidências de que Epstein tenha influenciado o roteiro, a governança ou a direção técnica do Bitcoin. O Bitcoin Core não é uma organização centralizada, e as contribuições são públicas, debatidas e distribuídas.
Ainda assim, a perceção é desconfortável.
Assim que o nome do Bitcoin apareceu nos ficheiros, o Twitter cripto fez o que sempre faz: escalou.
Um rumor viral alegava que Epstein era Satoshi Nakamoto, com base numa imagem de um suposto email de 2008 a referenciar “o pseudónimo Satoshi”.
O Coin Bureau confirma que esse email não existe na base de dados do DOJ, e os erros de formatação tornam-no uma fabricação óbvia.
Epstein não era Satoshi.
Mas o Coin Bureau nota que Epstein afirmou, em emails posteriores, ter falado com “fundadores do Bitcoin”, no plural, enquanto apresentava ideias para moedas digitais do Médio Oriente.
Essa alegação é impossível de verificar, e não prova nada sobre a identidade de Satoshi. No máximo, mostra que Epstein compreendia bem a infraestrutura do Bitcoin para falar sobre replicá-la.
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Para além do Bitcoin, os ficheiros também revelam a exposição financeira de Epstein a várias empresas de cripto iniciais.
O Coin Bureau destaca alguns exemplos principais:
Epstein participou na ronda de financiamento inicial da Blockstream em 2014, inicialmente através de um fundo ligado a Joichi Ito. A Blockstream confirmou posteriormente a ligação, mas afirmou que as ações foram desinvestidas rapidamente devido a preocupações.
Uma entidade relacionada com Epstein também investiu cerca de 3 milhões de dólares na Coinbase em 2014, um investimento supostamente apresentado por Brock Pierce. Epstein posteriormente vendeu parte dessa participação por um retorno enorme.
Os ficheiros também mencionam Ripple e Stellar, com emails internos a mostrar que figuras da Blockstream estavam insatisfeitas por Epstein estar a apoiar múltiplos projetos ao mesmo tempo.
Ethereum, curiosamente, é mencionado quase nada.
A conclusão do Coin Bureau é direta: não.
O Bitcoin não tem liderança executiva. Não possui um centro de controlo. O financiamento de Epstein a instituições adjacentes não significa que o próprio Bitcoin tenha sido comprometido.
O Bitcoin sobreviveu ao Mt. Gox, FTX, guerras internas sobre escalabilidade, repressões regulatórias e ataques mediáticos constantes. Alguns emails com décadas de idade não reescrevem os fundamentos do protocolo.
O impacto maior é reputacional.
O Bitcoin já carrega bagagem na perceção mainstream, e ser mencionado perto de Epstein não é lisonjeiro. Mas o Coin Bureau também aponta uma luz ao fundo do túnel:
Não há evidências de que as criptomoedas tenham sido usadas para financiar os crimes de Epstein.
As instituições olham para o futuro. Assim que as manchetes desaparecem, a trajetória do Bitcoin continuará a ser moldada pela adoção, liquidez e condições macroeconómicas, e não por teorias conspiratórias nas redes sociais.
Por agora, os ficheiros Epstein acrescentam mais um capítulo estranho à história do Bitcoin, mas não mudam o que o Bitcoin é.
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