A bolsa de valores brasileira B3 vai lançar hoje seis “Event Contracts”, incluindo instrumentos associados a movimentos do preço do bitcoin. O primeiro mercado de previsões regulamentado a nível federal do país surge três dias depois de o Conselho Monetário Nacional ter proibido derivados com base em eventos desportivos, políticos e de entretenimento, preservando explicitamente a categoria de ativos financeiros a que os contratos da B3 se enquadram.
Principais conclusões:
Os seis Event Contracts da B3 estão associados a movimentos em futuros à vista e mini futuros no índice Ibovespa, no real brasileiro e no bitcoin, com preços limitados a 100 reais brasileiros (por volta de $19) e liquidação apenas em numerário. Os contratos baseiam-se na mesma estrutura mecânica utilizada por operadores de mercados de previsão com sede nos EUA, Kalshi e Polymarket, e foram autorizados pelo regulador de valores mobiliários do Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Estão restritos a investidores profissionais com pelo menos 10 milhões de reais (aproximadamente $1.9 milhões) em ativos ou com certificação técnica da CVM.
O lançamento ocorre três dias após o Conselho Monetário Nacional (CMN), o principal órgão de política monetária do Brasil, ter publicado a Resolução CMN nº 5,298 a 24 de abril. A resolução proíbe derivados baseados em eventos reais desportivos, jogos online e eventos políticos, eleitorais, sociais, culturais ou de entretenimento, preservando contudo derivados associados a variáveis económicas e financeiras. As regras entram em vigor a 4 de maio, com a aplicação e a regulamentação complementar delegadas à CVM.
Numa conferência de imprensa no mesmo dia, o ministro das Finanças Dario Durigan e a ministra da Casa Civil Miriam Belchior anunciaram que a Agência Nacional de Telecomunicações do Brasil (ANATEL) tinha bloqueado o acesso a 28 plataformas de mercados de previsões que operavam sem autorização, com o secretário de Prêmios e Apostas (SPA) chefiado por Régis Dudena a confirmar que seriam seguidos mais bloqueios para quaisquer plataformas fora do âmbito permitido pelo CMN.
A resolução cita explicitamente o quadro federal de apostas desportivas do Brasil como base legal para distinguir apostas fixas licenciadas de derivados baseados em eventos. O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável, uma associação setorial do ramo para operadores brasileiros licenciados, endossou a resolução no mesmo dia, enquadrando-a como a prevenção de “arbitragem regulatória” por plataformas estrangeiras que tentam operar como instrumentos financeiros em vez de operadores de jogos de azar licenciados.
Fundada em 2017 a partir da fusão entre a BM&FBovespa e a Cetip, a B3 (Brasil, Bolsa, Balcão) é a principal bolsa de valores do Brasil e a maior operadora de infraestruturas de mercados financeiros na América Latina. A B3 já oferece contratos futuros de Bitcoin, lançados em abril de 2024, juntamente com derivados associados a ações, moedas, commodities e taxas de juro.
Este lançamento é o primeiro mercado de previsões regulamentado a nível federal no Brasil, de acordo com o próprio enquadramento da empresa, e chega precisamente do lado certo da nova linha. Fonte TK sobre isto Segundo Luiz Masagão, Vice-Presidente Executivo de Produtos e Clientes da B3, os contratos fazem parte de uma estratégia mais ampla para modernizar o mercado de derivados do país, com a B3 já a oferecer instrumentos ligados a decisões do banco central noutros países.
A bolsa revelou separadamente planos para lançar uma plataforma de tokenização e um stablecoin antes do fim do ano, informou a Bloomberg no início deste mês. O lançamento acontece num contexto de boom global dos mercados de previsão, com a Kalshi a entrar no Brasil em janeiro por via de uma parceria com a corretora XP International. Com a Polymarket, a Kalshi e outras 26 plataformas estrangeiras agora bloqueadas ao nível da rede, a B3 entra num mercado doméstico que o governo libertou em seu nome, com dezenas de milhares de milhões em volume nocional em jogo.
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