As Filipinas juntaram-se ao Pax Silica em abril de 2026, a coligação liderada pelos EUA lançada em dezembro de 2025 para assegurar cadeias de abastecimento para IA, semicondutores e minerais críticos. O acordo inclui a criação de uma Zona de Segurança Económica de 1.618 hectares em New Clark City designada como um nó de rede. O economista JC Punongbayan, professor associado na University of the Philippines School of Economics, publicou uma análise no Rappler.com identificando riscos estruturais na configuração, incluindo a possível perpetuação de funções de fabrico de baixo valor, exigências de recursos de centros de dados e custos de cedência resultantes da redução dos laços económicos com a China no contexto das tensões no Mar das Filipinas Ocidental.
Preocupações com o Posicionamento na Cadeia de Valor
Punongbayan afirmou que os países que fazem a montagem, testes e embalagem de semicondutores capturam um valor mínimo face aos que controlam o desenho do chip e as patentes. Escreveu que as Filipinas permaneceram durante décadas nos segmentos da cadeia de menor valor. O autor especificou que trabalho de alto valor como o desenho de chips e a fabricação de wafers exige a inclusão, nos acordos, de uma transferência de tecnologia vinculativa e do desenvolvimento de fornecedores locais, não devendo ser assumido. Assinalou o risco de o Pax Silica poder renomear acordos existentes em que as Filipinas disponibilizam terra, mão de obra e minerais, enquanto os parceiros mantêm tecnologia, propriedade intelectual e lucros.
Requisitos de Recursos para Centros de Dados
O economista identificou duas preocupações específicas sobre a instalação de centros de dados de IA. Em primeiro lugar, afirmou que estas infraestruturas têm custos substanciais para serem construídas, mas empregam poucas pessoas durante a operação, cabendo às Filipinas fornecer terra, eletricidade e água de arrefecimento enquanto capturam retornos muito reduzidos. Em segundo lugar, referiu que os centros de dados de IA consomem grandes quantidades de energia e água num país que já enfrenta escassez e vulnerabilidade climática. Punongbayan acrescentou que o aumento da exploração de terras-raras poderá impor custos ambientais em ecossistemas frágeis, afirmando que a criação de uma zona de segurança económica pode acarretar despesas ambientais significativas.
Cedências na Relação Comercial com a China
Punongbayan reconheceu que a aliança procura reduzir a dependência da China, notando o sentimento nas Filipinas no sentido de reduzir riscos face às ações de Pequim no Mar das Filipinas Ocidental. Contudo, afirmou que, com Donald Trump a liderar os EUA, os compromissos de Washington podem tornar-se mais transacionais e menos previsíveis. O economista escreveu que a China funciona como um sério motor económico e de I&D e encontra-se no centro do processamento de minerais de que a aliança depende. Disse que desviar-se da China traz custos, incluindo a perda de laços comerciais e tecnológicos difíceis de um país em desenvolvimento substituir.
Recomendações de Política Enunciadas
Punongbayan especificou que, antes de serem assinados mais acordos, as Filipinas devem exigir respostas sobre os termos de governação da Zona de Segurança Económica, imunidades e condições de arrendamento. Escreveu que os compromissos vinculativos devem abranger transferência de tecnologia, captura de valor local, salvaguardas ambientais e normas laborais. O autor enumerou objetivos mensuráveis que os acordos devem incluir: engenheiros filipinos formados, fornecedores locais acreditados, empresas filipinas integradas na produção de maior valor e responsabilidades ambientais atribuídas. Disse que a administração enfrenta pressão para anunciar investimento direto estrangeiro face às condições económicas, mas alertou que um acordo apressado pode prender o país num papel subordinado durante gerações.
Punongbayan é cofundador do UsapangEcon.com e autor de "False Nostalgia: The Marcos 'Golden Age' Myths and How to Debunk Them", publicado pela Ateneo de Manila University Press em fevereiro de 2023. O seu segundo livro "Twin Plagues: How Duterte and Covid-19 Wrecked the Philippine Economy" está agendado para publicação pela Penguin Random House SEA em junho de 2026.