Aave, protocolo de empréstimos DeFi, entrou com uma moção de emergência em 4 de maio no Tribunal Federal do Distrito Sul de Nova York, nos EUA, pedindo a revogação da ordem de congelamento de 1º de maio sobre 30.766 ETH (atualmente cerca de US$ 73 milhões). O fundador Stani Kulechov declarou publicamente: “O ladrão não possui o que ele roubou.” Segundo a The Block, a Aave sustenta que esse lote de ETH foi tomado por hackers dos usuários da Aave e não deveria ser confiscado pelos detentores da sentença de ataques terroristas na Coreia do Norte — porque o ladrão nunca teve propriedade legal sobre o produto do crime. O caso é a continuidade da reportagem do abmedia de 4 de maio sobre a decisão do Tribunal do Distrito Sul de Nova York de congelar 71 milhões de dólares em ETH do Kelp DAO; é a primeira vez que surge um protesto público de um protocolo DeFi com interesse direto.
Defesas centrais em 3 pontos da Aave: propriedade, “erro” na acusação de Norte Coreia e fragilidade da prova
Os três pontos centrais da moção de emergência da Aave:
Primeiro ponto: o ladrão não tem propriedade legal sobre o produto do crime — o ato de roubar, por si só, não transfere propriedade; o ETH em mãos do hacker ainda pertence legalmente aos usuários originais da Aave.
Segundo ponto: no momento em que o produto do crime é recuperado por “observadores” (Comitê de Segurança da Arbitrum), o direito de propriedade retorna à vítima, e não entra em um estado de “custódia intermediária” para que outros credores possam reivindicar.
Terceiro ponto: o autor (detentor da sentença por ataque terrorista na Coreia do Norte) tenta ligar o hacker ao Grupo Lazarus por meio de evidências que são apenas “opiniões de boatos com base em postagens na internet” (internet-post hearsay opinions), incapazes de constituir prova admissível no tribunal.
Stani Kulechov, em sua declaração pública, explicou por analogia: “Imagine uma joalheria sendo roubada e os diamantes sendo recuperados depois por um transeunte que passava. Esses diamantes pertencem à joalheria original — e não tem nada a ver com o fato de o ladrão, coincidentemente, dever dinheiro a outra pessoa.” Ele acrescentou: “Esses fundos pertencem aos usuários-vítimas que foram roubados — simplesmente.”
Origem do caso: em 18 de abril, hack na ponte cross-chain do KelpDAO, usuários da Aave são vítimas
A disputa legal atual tem origem no incidente de hack do KelpDAO em 18 de abril. O hacker explorou a vulnerabilidade da ponte cross-chain usando o rsETH da KelpDAO (token de staking com liquidez) e emprestou à Aave cerca de US$ 230 milhões em ETH com garantias “sem lastro”. O grupo central de vítimas da Aave são os usuários que emprestaram ETH — depois que o hacker roubou o ETH, ele simplesmente sacou os fundos e desapareceu.
Após o ocorrido, o Comitê de Segurança da Arbitrum interveio e interceptou 30.766 ETH (atualmente cerca de US$ 73 milhões), reservando-os como compensação às vítimas. A Aave e Lido, Mantle, EtherFi e outras entidades formaram a aliança DeFi United; originalmente, o plano era votar no Arbitrum DAO para repassar esse lote de ETH aos usuários da Aave.
O imprevisto aconteceu em 1º de maio — o detentor da sentença de US$ 300 milhões do ataque terrorista de 2015, Han Kim e outros, solicitou uma ordem de arresto ao Tribunal do Distrito Sul de Nova York, alegando que esse lote de ETH foi roubado pelo Lazarus Group e que, de acordo com a sentença, deveria ser ressarcido primeiro. Após o tribunal emitir a ordem de arresto, o plano de compensação da Aave foi forçado a ser interrompido.
Observações para acompanhar: data da audiência, evidências do Lazarus, precedentes de governança DeFi
Depois que a moção da Aave foi apresentada, o Tribunal do Distrito Sul de Nova York deve agendar uma audiência antes do fim de maio. Três pontos de observação:
Como o tribunal determinará se a ligação entre o Lazarus Group e o hack do KelpDAO desta vez está estabelecida — se adotar as evidências de “atribuição na internet” do autor, todos os bens do crime relacionados a hackers norte-coreanos no futuro cairiam no escopo executável da sentença de ataques terroristas na Coreia do Norte; se rejeitar, este caso será visto como um precedente de vitória para defesas DeFi
A lógica jurídica de “o ladrão não possui o produto do crime” consegue se estender a ativos cripto — o tratamento jurídico tradicional de bens físicos roubados é mais consolidado, mas ainda não há precedentes claros sobre a titularidade de ativos tokenizados e, em contratos inteligentes, sobre a titularidade do ETH
O papel do Arbitrum DAO — se a intervenção do DAO que congela é um “ato de governança” ou um “ato de custódia”; dependendo da classificação adotada, a titularidade jurídica do ETH pode mudar totalmente
Para a indústria DeFi, o resultado deste caso definirá os limites do risco jurídico da intervenção de DAOs em bens de hackers. Se tribunais dos EUA decidirem que “após o congelamento do DAO, credores externos podem reivindicar primeiro o ressarcimento”, em futuros acordos envolvendo grandes incidentes de hack, pode ser preferível não intervir e não congelar, nem puxar os ativos para um alcance legalmente acionável — o que, na verdade, seria desfavorável aos usuários-vítimas. Esse é um paradoxo que toda a indústria precisa encarar.
Este artigo “Aave usa moção de emergência para rebater o congelamento de US$ 73 milhões em ETH: ‘O ladrão não possui o que ele roubou’” apareceu primeiro em ABMedia (cadeia).
Related News
Famílias buscam ETH Arbitrum congelado para vítimas da Coreia do Norte
Coreia do Norte nega roubo de criptomoedas, já que $577M foi roubado em 2026
Apreensão de 71 milhões de dólares após decisão de ataque da Coreia do Norte: ETH da Kelp DAO em Arbitrum “intervenção concentrada” vira argumento legal
Credores da Coreia do Norte buscam apreender ETH da Kelp DAO congelado no Arbitrum
Famílias Buscam ETH Arbitrum Congelada Após Reivindicações de Julgamento da Coreia do Norte