SpaceX supera US$ 200: valor de mercado de US$ 2,66 trilhões ultrapassa a Amazon, e chegou a ficar entre as quatro maiores do mundo durante o pregão

Em 12 de junho de 2026, a SpaceX concluiu a maior oferta pública inicial (IPO) da história, captando cerca de US$ 85,7 bilhões a um preço de US$ 135 por ação. Em apenas três pregões, a empresa de espaço e inteligência artificial reescreveu, com velocidade impressionante, o ranking de valor de mercado das empresas listadas no mundo.

Em 17 de junho de 2026, com base em dados de cotações da Gate, no terceiro pregão após o IPO (16 de junho) a cotação da SpaceX atingiu, durante o pregão, o pico de US$ 225,64, com alta que chegou a superar 17% em determinado momento, e fechou a US$ 201,80, com alta de 4,9% no dia. Durante o pregão, o valor de mercado da SpaceX chegou a ultrapassar a Microsoft, saltando temporariamente para a 4ª posição entre as maiores empresas listadas do mundo; depois, recuou no fechamento para US$ 2,66 trilhões, superando os US$ 2,65 trilhões da Amazon, e assumiu oficialmente a 5ª posição global. As quatro primeiras são Nvidia (US$ 5,02 trilhões), Google (US$ 4,52 trilhões), Apple (US$ 4,40 trilhões) e Microsoft (US$ 2,93 trilhões).

Essa alta significa que, desde a abertura de capital, a SpaceX acumulou um aumento de cerca de 49% e o seu valor de mercado cresceu em quase US$ 90 bilhões em relação aos US$ 1,77 trilhão do IPO. Para qualquer empresa aberta, uma velocidade assim é extremamente rara.

A quebra da barreira de US$ 200: é um ajuste de precificação ou superaquecimento do mercado?

O preço de abertura no dia do IPO já atingiu US$ 174, 29% acima do preço de emissão. No segundo pregão, fechou a US$ 192,5. No terceiro pregão, abriu já rompendo a barreira de US$ 200 e, por inércia durante o pregão, disparou até US$ 225,64; em seguida, entrou em oscilações e recuou, terminando acima de US$ 200.

Do ponto de vista apenas dos números, US$ 200 em si não tem nenhum significado especial — é apenas uma barreira psicológica. Mas o momento em que essa barreira foi rompida chama atenção: em apenas três pregões. Comparado a outros IPOs grandes da história, essa velocidade quase não tem precedentes. E o recuo de mais de 10% após a alta intradiária para US$ 225 também reflete o aumento da pressão vendedora em níveis elevados e a intensificação da divergência entre altistas e baixistas.

O que realmente vale ser questionado é: o que está impulsionando esse processo de formação de preço — é a entrega (concretização) da lógica fundamental ou são a estrutura do mercado e os mecanismos de negociação?

A base de valuation de US$ 2,66 trilhões: tensão entre receita, prejuízo e expectativas

O valor de mercado atual da SpaceX já ultrapassa a Amazon e se aproxima da Microsoft, de US$ 2,93 trilhões. Mas, quando comparados os fundamentos financeiros, a diferença é enorme.

Segundo dados de relatório da SpaceX, em 2025 a receita da empresa foi de US$ 18,67 bilhões, mas após a fusão com a xAI o prejuízo líquido anual chegou a US$ 4,94 bilhões. Em comparação, a Microsoft tem receita anual acima de US$ 280 bilhões, enquanto a Amazon se aproxima de US$ 717 bilhões.

Em outras palavras, a SpaceX sustenta um valor de mercado de US$ 2,66 trilhões com uma receita e um quadro de prejuízo abaixo de US$ 20 bilhões. Esse múltiplo de valuation, dentro de estruturas tradicionais de avaliação, quase não consegue ser explicado por P/E (preço sobre lucro).

As principais lógicas que sustentam esse valuation incluem: o potencial de crescimento do negócio de internet via satélite da Starlink, o futuro de comercialização do Starship e o posicionamento da xAI no campo de inteligência artificial. Mas esses negócios ainda estão, em grande parte, em fase de alto investimento e não formaram um modelo estável de geração de lucros. Vários analistas expressaram dúvidas — a analista do banco suíço Ipek Ozkardeskaya declarou de forma direta que o valuation da SpaceX é “completamente injustificável”, e que a alta do preço das ações hoje é mais um comportamento especulativo. A CFRA já havia dado recomendação de “venda” no dia do IPO, com preço-alvo de apenas US$ 115. A analista da Morningstar, usando um modelo de valuation por fluxo de caixa descontado, estimou um valor justo de cerca de US$ 78 bilhões, o que equivale a cerca de US$ 60 por ação.

Essa grande discrepância entre fundamentos e valor de mercado é o cerne da divisão atual do mercado, e também é uma das razões internas para a rápida queda após o preço intradiário ter tocado US$ 225.

Proporção extremamente baixa de ações em circulação: efeito multiplicador de compras passivas e escassez de oferta

Para entender a trajetória da cotação da SpaceX, há um fator-chave que não pode ser ignorado — a proporção de ações em circulação.

No dia do IPO, as ações efetivamente disponíveis para negociação correspondiam apenas a cerca de 4,2% do total de ações. Essa proporção é muito menor do que a observada em empresas abertas típicas de grande porte. Em um cenário em que as ações em circulação são extremamente escassas, qualquer compra em escala pode impulsionar o preço de forma desproporcional.

Angelo Kourkafas, estrategista sênior global de investimentos da Edward Jones, apontou de forma clara: “em comparação com o valor de mercado, esta empresa disponibiliza ao público uma quantidade de ações muito limitada”.

Mais importante ainda: as compras de fundos de índice passivos estão a caminho. A Nasdaq já modificou as regras de inclusão em índices, reduzindo o período de espera para grandes IPOs do máximo de 1 ano para 15 pregões. Isso significa que a SpaceX pode entrar no Nasdaq 100 no terceiro ciclo de pregões após o IPO, no mais rápido. A FTSE Russell também encurtou o período de espera para 5 pregões.

Os ETFs e fundos negociados que acompanham o Nasdaq 100 (como QQQ) administram ativos na ordem de US$ 500 bilhões. Assim que a SpaceX for incluída, esses fundos passivos terão de comprar de maneira pouco sensível a preço. Com menos de 5% de ações disponíveis em circulação, a contradição entre ordens rígidas de compra automatizada e uma oferta extremamente limitada pode ampliar ainda mais a volatilidade do preço — o que explica a força do movimento de alta intradiária e também sugere a possibilidade de oscilações intensas no futuro.

Ajuste nas regras de inclusão em índices: como mudanças institucionais remodelam a formação de preço

A alta rápida da SpaceX se beneficiou, em certa medida, de mudanças institucionais nas regras de inclusão em índices.

A Nasdaq, com uma nova regra que entrou em vigor em 1º de maio de 2026, removeu a exigência anterior de um mínimo de capitalização de ações em circulação (antes era exigido que pelo menos 10% das ações estivessem livres para negociação) e encurtou a janela de “maturidade” de até 1 ano para 15 dias. A FTSE Russell ajustou simultaneamente sua exigência mínima de ações livres para negociação para 5%.

O efeito direto dessas mudanças de regra é que a SpaceX foi incluída em um índice de referência em um período extremamente curto após o IPO, desencadeando compras passivas em grande escala. A empresa de pesquisa Zephirin Group apontou que, embora normalmente a inclusão em índice, por si só, não seja suficiente para promover uma reprecificação contínua, a combinação de fluxo de capital passivo, impulso do mercado e baixa liquidez pode fazer a negociação de inclusão do índice “superar a de antes”.

No entanto, o S&P 500 não seguiu o ajuste. As regras de inclusão do S&P exigem que a empresa tenha lucro no trimestre mais recente e nos últimos 12 meses. A SpaceX teve prejuízo de US$ 4,94 bilhões no ano anterior e, por isso, não pode ser incluída no S&P 500 em curto prazo. Essa diferenciação significa que a SpaceX vai se beneficiar das compras passivas do Nasdaq 100, mas fica temporariamente fora do grande pool de fundos do S&P 500, o que limita a margem para novas altas.

1,6 milhão de contratos na estreia de opções: como derivativos retroalimentam o preço à vista

Em 16 de junho, os contratos de opções da SpaceX começaram a ser negociados oficialmente na Chicago Board Options Exchange e na Nasdaq.

A negociação no primeiro dia de opções foi extremamente ativa. O volume superou 1,6 milhão de contratos; a proporção entre opções de compra (call) e opções de venda (put) ficou em cerca de 1,4:1. A volatilidade implícita de três meses já chegou, no início do pregão, a aproximadamente 110% a 115%, refletindo a expectativa do mercado de uma grande oscilação do preço em ambos os sentidos. O contrato mais negociado foi a call com vencimento na quinta-feira e strike de US$ 220.

O mecanismo de impacto das opções sobre o preço à vista acontece da seguinte forma: quando traders compram opções de compra, os market makers precisam comprar as ações subjacentes correspondentes para se proteger do risco. À medida que o preço das ações sobe, isso amplia a exposição ao risco dos market makers, obrigando-os a continuar comprando ações, o que forma um ciclo de feedback positivo. Brent Kochuba, fundador da SpotGamma, afirmou que a grande quantidade de negociações com viés altista foi uma das razões importantes para levar o preço das ações da SpaceX a US$ 225 de manhã na terça-feira.

No dia, o valor negociado das ações da SpaceX foi de cerca de US$ 61 bilhões, o maior entre empresas abertas de grande porte nos EUA. O efeito de ligação entre os mercados de opções e à vista é amplificado ainda mais no contexto de um volume de ações em circulação já escasso. Porém, após uma forte alta do preço, alguns market makers podem realizar lucros ou ajustar as posições de hedge — o que também é um dos fatores técnicos por trás do recuo no fechamento para US$ 201,8.

Compra de US$ 60 bilhões do Cursor: a primeira peça estratégica após o IPO

Junto com a disparada do preço das ações, em 16 de junho a SpaceX anunciou a aquisição da controladora da ferramenta de programação de IA Cursor, a Anysphere, em uma operação totalmente em ações avaliada em US$ 60 bilhões.

Essa aquisição tem múltiplos significados. Primeiro, trata-se do primeiro grande negócio de fusão e aquisição após o IPO da SpaceX. Segundo, na última rodada de captação da Cursor em novembro passado, a valuation era de cerca de US$ 29 bilhões; desta vez, o prêmio da aquisição supera o dobro. Terceiro, a SpaceX já tinha, desde abril, a opção de adquirir a Cursor por US$ 60 bilhões, mas adiou a execução devido ao andamento do processo do IPO.

Do ponto de vista estratégico, essa compra reforça ainda mais o posicionamento da SpaceX em inteligência artificial. Antes, a SpaceX já tinha concluído a aquisição da xAI em fevereiro. A Cursor é líder em ferramentas de programação de IA, e seus produtos têm ampla cobertura entre engenheiros de software experientes. A aquisição deve ser concluída no terceiro trimestre de 2026.

Essa fusão e aquisição também envia ao mercado um sinal claro: a gestão de capital da SpaceX não se limita ao IPO em si, e sim acelera a integração das capacidades de IA, oferecendo uma narrativa de sustentação para o valuation de longo prazo.

Fim das janelas de lock-up e liberação de oferta: um teste estrutural para a alta atual

O desempenho recente da cotação da SpaceX em níveis elevados foi construído sobre a base de uma oferta extremamente escassa de ações em circulação. Mas essa estrutura não durará para sempre.

A SpaceX adotou um arranjo incomum de lock-up, impedindo insiders e investidores iniciais de venderem ações por prazos específicos. À medida que o lock-up expira nos próximos meses, ações adicionais passam a entrar no mercado.

Observadores do mercado esperam que, após o fim dos lock-ups, insiders consigam vender mais ações, o que pode pressionar bastante o preço das ações da SpaceX para baixo. Trata-se de um risco estrutural que deve ser levado a sério — quando a oferta retorna do nível extremamente escasso ao patamar normal, o mecanismo de formação de preço muda de forma fundamental.

Ao mesmo tempo, o peso da SpaceX no Nasdaq 100 aumentará conforme o tamanho da base de ações em circulação cresce. A compra passiva dos fundos de índice e a oferta adicional trazida pelo fim dos lock-ups ocorrerão simultaneamente. A disputa entre essas duas forças será uma variável-chave para a trajetória da cotação da SpaceX nos próximos meses. E o movimento de alta seguido de recuo intradiário talvez seja, justamente, uma prévia desse embate entre altistas e baixistas.

FAQ

P: Qual foi o aumento acumulado após o IPO da SpaceX?

Em 17 de junho de 2026, com base em dados de cotações da Gate, a SpaceX foi lançada a US$ 135 por ação; no terceiro pregão, fechou em US$ 201,80, com alta acumulada de cerca de 49,5%.

P: Qual é o valor de mercado atual da SpaceX e qual é sua colocação global?

O valor de mercado chegou a US$ 2,66 trilhões, superando a Amazon (US$ 2,65 trilhões), e a SpaceX ocupa a 5ª posição entre as maiores empresas listadas do mundo. Durante o pregão, chegou a ultrapassar a Microsoft, chegando ao 4º lugar na máxima, mas no fechamento recuou para o 5º. As quatro primeiras são Nvidia (US$ 5,02 trilhões), Google (US$ 4,52 trilhões), Apple (US$ 4,40 trilhões) e Microsoft (US$ 2,93 trilhões).

P: Por que a proporção de ações em circulação da SpaceX é tão baixa?

No dia do IPO, as ações efetivamente disponíveis para negociação correspondiam apenas a cerca de 4,2% do total de ações. No IPO, a empresa vendeu apenas cerca de 5% das ações; a maior parte das participações permanece com insiders e investidores iniciais.

P: Quando a SpaceX será incluída em um índice principal?

A Nasdaq reduziu o período de espera para grandes IPOs para 15 pregões; a SpaceX pode ser incluída no Nasdaq 100 o mais rápido no terceiro ciclo após o IPO. A FTSE Russell reduziu o período de espera para 5 pregões. Mas o S&P 500 ainda não ajustou as regras e, como a SpaceX ainda não realizou lucro, não pode ser incluída imediatamente.

P: Qual é o valor da operação pela aquisição do Cursor?

A SpaceX vai adquirir a controladora do Cursor, a Anysphere, em uma operação totalmente em ações avaliada em US$ 60 bilhões, com previsão de conclusão no terceiro trimestre de 2026.

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